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Traumas interpessoais não acontecem no vazio.

Vínculos e Relações · 31 de maio de 2026 · 4 min de leitura

Passado esse nosso último Workshop presencial da Criança Interior que nos Habita, e lendo o post sobre mais um lindo grupo novo que passou por aqui, uma coisa ficou ecoando aqui e resolvi refletir um pouco mais e tentar colocar em palavras, afinal, nada mais terapêutico do que a escrita, não é verdade? :)

Bom, mas vamos ao título dessa reflexão. Nossos traumas, pequenos ou grandes, nascem dentro das relações. No olhar que faltou. Na palavra que feriu. No vínculo que não conseguiu sustentar aquilo que precisávamos viver naquele momento.

Por isso, embora existam caminhos profundamente individuais de autoconhecimento e transformação, tem algo que muitas vezes só acontece quando estamos diante do outro.

Sim, já está mais que comprovado: Somos seres de Vínculo. E isso, senhoras e senhores, não é um luxo, é uma necessidade, um imperativo biológico, como diz muito bem sempre meu grande amigo André Chediek!

Aprendemos quem somos através das relações que vivemos. Descobrimos nosso valor, nossa capacidade de amar, de confiar e de pertencer por meio dos vínculos que construímos ao longo da vida. E, da mesma forma, muitas das dores que carregamos também encontram suas raízes nessas experiências relacionais.

Talvez seja por isso que alguns processos de transformação ganhem uma força tão especial quando acontecem em grupo. Mas não porque alguém vá fazer alguma coisa por nós nesse caminho, mas porque tem algo profundamente reparador em perceber que não estamos sozinhos.

É transformador encontrar um espaço onde podemos ser acolhidos, sermos vulneráveis, sem precisar esconder nossas fragilidades. Onde nossas histórias são recebidas com respeito. Onde aquilo que por tanto tempo foi vivido em silêncio encontra escuta.

Quando isso acontece, algo se movimenta. A criança que um dia se sentiu invisível pode finalmente ser vista. Aquela parte que aprendeu a se proteger o tempo todo pode experimentar um pouco mais de segurança.

E o adulto, que carregou tantas histórias sozinho descobre que não precisa caminhar sem companhia. E esse acho que é um dos maiores presentes dos encontros genuínos: Eles nos lembram que podemos pertencer!

E foi exatamente isso que tivemos o PRIVILÉGIO (e cá estou eu repetindo essa palavra mais uma vez) de viver neste último Workshop da Criança: Um incrível e profundo senso de pertencimento e acolhimento.

Mais uma vez, um grupo de pessoas chegou trazendo suas histórias, suas perguntas, suas dores, suas memórias e também seus sonhos. Pessoas diferentes entre si, mas unidas pela coragem de olhar para dentro e pela disposição de construir algo novo na própria trajetória.

Cada grupo que passa por aqui nos ensina algo e marca a gente de um jeito único e especial. Cada história compartilhada aumenta também a nossa compreensão sobre a experiência e cuidado humano.

Por isso, ao final de cada workshop, fica sempre uma sensação difícil de explicar: uma mistura de gratidão, admiração e saudade.

Gratidão pela confiança depositada em nosso trabalho.

Admiração pela coragem que testemunhamos em cada participante ao revisitar cenas importantes da própria história.

E saudade porque, mesmo em pouco tempo, criam-se laços que carregam uma beleza muito particular e gostosa de sentir.

É sempre um privilégio imenso poder acompanhar pessoas em momentos de transformação. E não porque tenhamos as respostas para suas vidas, mas porque somos convidados a caminhar ao lado delas por um pequeno, mas importante trecho dessa jornada.

E isso é um presente. Poder testemunhar alguém encontrar uma nova compreensão sobre si mesmo. Ver uma pessoa olhar para sua história com mais compaixão. Perceber que algo que parecia pesado começa, aos poucos, a encontrar novos significados.

E muitos hoje me perguntam, e confesso que eu mesmo em momentos mais complicados, também me questiono o por que de fazer o que faço, e são sempre grupos e momentos assim que me lembram constantemente do sentido desse trabalho.

Por isso, queremos deixar aqui o nosso mais sincero agradecimento.

Obrigado pela confiança. Obrigado pela entrega. Obrigado pela coragem de estar presente.

Obrigado por compartilharem suas histórias, suas emoções e suas descobertas.

E obrigado por nos permitirem participar, ainda que de forma pequena, desse movimento tão bonito de transformação que acontece quando alguém decide cuidar de si mesmo.

Como disse tão carinhosamente Claudia Drummond Couto: "Sortudas as crianças interiores de vocês, vão ser muito bem cuidadas."

Nós concordamos. E saímos desse encontro com a certeza de que cada um leva consigo não apenas um Livro das Cenas da Infância, mas também novos olhares, novas possibilidades e, quem sabe, uma relação um pouco mais amorosa com a própria história.

Que cada página continue sendo escrita com presença, coragem e gentileza. E que nossos caminhos possam se cruzar novamente em breve.

Assinatura Rodrigo Dantonio Correa

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